Jovem guarda-redes de futsal sentado dentro da baliza a olhar para o chão depois de sofrer um golo

O Meu Filho é Guarda-Redes de Futsal e Leva Muitos Golos: Devo Preocupar-me?

Uma mãe perguntou-me se devia preocupar-se com o filho guarda-redes de futsal que leva muitos golos. A resposta e como falar sobre isso em casa.

Escrito por

João Araújo

Professor de Educação Física (FADEUP) · Treinador de Futsal – Grau II · Licença UEFA B · Mestre em Educação Física

15 anos ligado à Educação Física em contexto escolar, 20 anos ao treino de futsal em escalões de formação e 5 anos como treinador de futebol. Atleta federado e amador de futebol e futsal.

Recebi esta pergunta de uma mãe de um miúdo de 12 anos, guarda-redes de um sub-13 de futsal: “A equipa dele perde quase todos os jogos por três, quatro golos. Ele chega a casa calado, vai direto para o quarto, e ontem disse que já não quer ser guarda-redes. Isto é da equipa ser fraca ou há aqui um problema com ele?” É uma pergunta que ouço bastante de pais de guarda-redes de formação, e a resposta honesta é: quase sempre é da equipa, mas o efeito recai todo sobre ele.

O guarda-redes de futsal está numa posição injusta. Num campo pequeno, com finalizações a cinco ou seis metros, com o adversário a criar superioridades e a rematar muitas vezes por jogo, sofrer golos é inevitável mesmo para guarda-redes muito bons. E, ao contrário do que acontece com um ala que falha um passe, o erro do guarda-redes fica marcado no placar e toda a gente o viu.

É Normal um Guarda-Redes de Futsal Levar 5 ou 6 Golos por Jogo?

Nos escalões de formação, e numa equipa que não domina os jogos, sim, é perfeitamente possível. O futsal é um desporto de muitos golos por natureza. Uma equipa que defende mal à frente do guarda-redes, que perde muitas bolas na saída de pressão, que não fecha os cantos, vai expor o seu número um a situações de golo atrás de situação de golo. Nenhum guarda-redes de 12 anos resolve isso sozinho.

O número de golos sofridos, por si só, diz pouco sobre a qualidade do teu filho. Diz sobre a qualidade da defesa coletiva à frente dele. Um guarda-redes pode fazer um grande jogo e mesmo assim sofrer cinco, se a equipa lhe entregou dez situações claras.

Ele Vem para Casa Arrasado. Como Falo Sobre os Golos?

Este é o ponto mais delicado, porque a forma como falas em casa pode ajudar ou pode carregar-lhe o peso.

Três coisas que ajudam. Primeiro, não faças a análise técnica do jogo no carro. Ele acabou de o viver, não precisa que lhe digam onde podia ter chegado melhor. Segundo, separa o resultado da prestação dele: “a equipa levou quatro, mas tu fizeste duas defesas muito boas” é uma frase verdadeira e útil, e ele provavelmente não a ouviu de mais ninguém. Terceiro, deixa-o falar primeiro, e se ele não quiser falar naquele dia, respeita.

Uma coisa que costumo sugerir aos pais é ajudarem o filho a registar, depois de cada jogo, quantas defesas fez, quantos golos vieram de erro individual dele e quantos de situações que a equipa lhe entregou. A Ferramenta de Diário de Atleta da SportsLabTools serve para isso: em vez de ficar só com “levei quatro”, o miúdo vê que fez seis defesas e que só um dos golos foi mesmo por falha sua. Ao fim de um mês, essa distinção muda a forma como ele se avalia.

Devo Pedir para Ele Jogar Outra Posição?

Só se for ele a querer, e não como fuga a um mau momento. Se o teu filho gosta de ser guarda-redes e só está desmoralizado com os resultados, tirá-lo da baliza ensina-lhe que se abandona uma coisa quando ela corre mal. Se, passadas algumas semanas de calma, ele continuar a dizer que não quer, aí sim vale a pena falar com o treinador sobre experimentar como jogador de campo, sem drama e sem o rotular.

(Não tenho fórmula perfeita para saber quando é desmotivação passageira e quando é vontade genuína de mudar. O que costuma funcionar é dar duas ou três semanas antes de decidir seja o que for. A frase dita num domingo à noite depois de perder por cinco raramente é a mesma na quarta a seguir.)

Como Sei se É a Equipa ou se É Ele?

Aqui os números ajudam mais do que a impressão. Ao longo de cinco ou seis jogos, olha para a percentagem de defesas dele (defesas a dividir por remates enquadrados) e para a origem dos golos. Se ele defende uma boa parte do que lhe atiram e a maioria dos golos vem de situações de dois contra um, de bolas perdidas na saída ou de cantos mal defendidos, o problema está à frente dele. Cruzar as estatísticas do guarda-redes com o contexto de cada golo na Ferramenta de Estatísticas da SportsLabTools mostra isso com clareza, e é uma conversa que o treinador devia ter contigo e com ele.

Se, pelo contrário, ele deixa passar bolas centrais, sai mal nos cruzamentos, hesita nos um contra um e a percentagem de defesas é baixa jogo após jogo, então há trabalho técnico a fazer, e isso é bom, porque técnica treina-se. O que não se resolve é aquilo que nunca se identificou.

Consulta também: O Papel dos Pais no Futsal de Formação: Como Apoiar Sem Aumentar a Pressão, com mais sobre o que dizer e o que não dizer no carro a caminho de casa.

À mãe que me perguntou, respondi isto: o teu filho não está a levar golos por ser mau guarda-redes, está a levar golos porque a equipa lhe entrega demasiadas situações. Isso não é culpa dele nem tua. O que podes fazer é ajudá-lo a separar o que é dele do que é da equipa, elogiar as defesas que ninguém elogia, e dar-lhe tempo antes de qualquer decisão sobre mudar de posição. Se ele voltar a gostar de defender a baliza, a vontade de sair passa. Se não voltar, aí falamos de outra coisa, com calma.



*Esta história tem por base um caso verdadeiro; o nome e a identidade de quem a viveu não são revelados e parte do enquadramento foi recomposta apenas para efeitos de ilustração.*

Acelerador opcional · a ferramenta é sempre gratuita

Estatísticas fiáveis já no próximo jogo

Taxonomia de ações pronta para registo ao vivo a partir do banco, com a localização no campo e na baliza já ativa — mapas de calor e de remate sem configurares nada.