Jovem jogador de futebol concentrado antes de um teste de avaliação

Como Sobrevivi ao Meu Primeiro Teste de Futebol: Diário de um Jovem

Terça-feira, 18h30, campo emprestado, quinze miúdos a lutar por três vagas. Diário em primeira pessoa do meu primeiro teste de futebol: nervos, erros e o que aprendi.

Escrito por

João Araújo

Professor de Educação Física (FADEUP) · Treinador de Futsal – Grau II · Licença UEFA B · Mestre em Educação Física

15 anos ligado à Educação Física em contexto escolar, 20 anos ao treino de futsal em escalões de formação e 5 anos como treinador de futebol. Atleta federado e amador de futebol e futsal.

Terça-feira, 18h30. Campo emprestado de um clube da segunda divisão distrital, relva sintética meio gasta, quinze miúdos entre os 14 e os 15 anos alinhados junto à linha lateral. Eu era um deles. Três vagas no sub-15, um treinador com uma prancheta e um cronómetro, e uma sensação no estômago que nunca tinha sentido antes, nem em jogos de campeonato.

Não sabia o nome de ninguém. Não sabia que sistema iam usar. Só sabia que tinha 90 minutos para mostrar que merecia uma das três vagas de futebol naquele plantel, e que a maior parte dos outros quinze estava exactamente na mesma posição que eu.

Os Primeiros 15 Minutos Foram um Desastre

Comecei mal. Recebi a primeira bola de costas para a baliza, tentei um passe demasiado ambicioso para o pé errado e perdi a posse a meio-campo. O treinador não disse nada, só escreveu qualquer coisa na prancheta, e essa foi a pior parte: não saber o que ele estava a escrever. Passei os cinco minutos seguintes a jogar com medo em vez de jogar futebol, a recusar bolas que normalmente pediria, só para não arriscar outro erro visível.

Foi um colega de equipa, ele também candidato, que me disse ao intervalo do primeiro terço: “Pára de pensar no que ele está a escrever. Joga como jogas nos treinos do teu clube.” Não tenho a certeza se foi exactamente isso que resolveu, mas foi a partir daí que comecei a respirar normalmente outra vez.

O Que Mudei a Meio do Teste

Na segunda parte do teste, mudei três coisas concretas, sem ninguém me dizer para o fazer:

Comecei a pedir bola mais cedo, em vez de esperar que ela viesse ter comigo: isso sozinho mudou a forma como o treinador olhava para mim, porque parar de esperar é mais visível do que qualquer jogada individual. Simplifiquei as decisões: passe curto seguro em vez de tentar o passe perfeito de 30 metros que só ia resultar uma vez em cada dez. E comuniquei mais alto do que o normal, quase de forma exagerada, com “linha!”, “atrás!”, porque num campo cheio de estranhos, a comunicação é a única coisa que separa quem parece saber jogar de quem só sabe jogar.

Foi por essa altura que me lembrei de uma coisa que o meu treinador do clube tinha dito semanas antes, sobre rever o próprio jogo em vídeo em vez de confiar só na memória. Não tinha vídeo daquele teste, mas prometi a mim mesmo que, no teste seguinte que fizesse, ia pedir a alguém para gravar pelo menos os primeiros 20 minutos, porque foi exactamente aí que perdi mais tempo a corrigir-me a mim próprio em vez de já saber o que tinha corrido mal. Hoje uso a Ferramenta de Análise de Vídeo da SportsLabTools depois de cada teste ou jogo importante, precisamente para não depender só da sensação que fico com o corpo.

O que Mudei Depois Disso

No dia seguinte ao teste, antes mesmo de saber o resultado, escrevi num caderno tudo o que me lembrava: os três erros claros, os dois momentos em que joguei bem, e a frase do meu colega sobre parar de pensar na prancheta. Não sabia se ia entrar na equipa, mas sabia que da próxima vez ia começar o teste de forma diferente: sem esperar dez minutos para “aquecer mentalmente”.

Fiquei com uma das três vagas. Não fui o melhor dos quinze naquele dia (tenho quase a certeza disso), mas fui o que se ajustou mais depressa depois de começar mal. E foi essa parte, não os primeiros quinze minutos, que acabou por contar mais.

Consulta também: Estreia de um Jovem no Futebol: Gerir a Pressão nas Primeiras Jornadas, o que vem depois de ganhar o lugar: a pressão da primeira titularidade a sério.

Se estás à espera do teu próprio teste de futebol esta semana: os primeiros dez minutos vão parecer os piores da tua vida. Não são. São só os primeiros dez minutos.


Não deixes o teu jogo depender só da memória. Usa a Ferramenta de Análise de Vídeo da SportsLabTools para reveres exactamente onde ajustaste o jogo e onde ainda precisas de melhorar.


*Este relato baseia-se num caso real, mas a identidade da pessoa foi preservada e alguns detalhes do contexto foram recriados para fins ilustrativos.*

Acelerador opcional · a ferramenta é sempre gratuita

Começa a marcar o jogo sem perder horas a criar categorias

Modelo de análise com 12 categorias e mais de 60 ações organizadas pelos momentos do jogo, já com contexto individual/coletivo e localização no campo e na baliza. Importas e marcas o primeiro clip a seguir.